Para a avaliação de acessibilidade foi utilizado o método empírico, Teste de Acessibilidade que é baseado na observação de usuários. Semelhante ao teste de usabilidade, esse teste avalia as interações dos usuários frente ao sistema e facilita o acesso às informações mais subjetivas relacionadas à interação, que podem não ser perceptíveis aos avaliadores em uma atividade de inspeção manual ou por meio de uso de ferramenta para inspeção de código [1].
Neste estudo, o teste de acessibilidade foi conduzido por um avaliador considerado experiente realizado com um usuário com deficiência visual. O objetivo era verificar a acessibilidade das funcionalidades de privacidade por observação de interação do usuário.
Perfil dos Usuários:
Usuário com deficiência visual, do sexo masculino, idade 43 anos, professor de informática de alunos com deficiência visual, alta familiaridade com as TICs, trabalha com avaliação de acessibilidade web de educação a distância e com avaliação de acessibilidade em conteúdos digitais.
Equipamento Utilizado:
Na avaliação, o usuário utilizou o sistema operacional Windows 7, com o navegador Mozilla Firefox 13.0.1 e o leitor de telas Jaws 12. Para gravação da interação do usuário com o sistema (vídeo e áudio) foi utilizado o aplicativo Camtasia 8.
Resultados:
Na avaliação realizada por observação direta com participação do usuário, algumas das tarefas de privacidade também ficaram comprometidas. Vale destacar, que o usuário não utiliza o Facebook na versão Web e sim é usuário do Facebook em sua versão mobile.
O usuário não conseguiu realizar a T1, encontrou dificuldades ao localizar o campo para a edição da mensagem na linha do tempo e também no feed de notícias. Devido à grande dificuldade do usuário em realizar a T1 e aos constantes questionamentos feitos pelo usuário, houve a intervenção do avaliador que comunicou os passos a serem seguidos para a realização da tarefa. No entanto, mesmo com os passos para a realização comunicados pelo avaliador, o usuário não conseguiu encontrar nem mesmo o campo de edição da mensagem de status.
Na realização da T2, o usuário conseguiu ir até a página de um determinado amigo para cancelar o recebimento de atualizações no feed. No entanto, não conseguiu encontrar as opções para cancelar o recebimento das atualizações. Nessa tarefa, depois de muitas tentativas sem sucesso, o usuário também questionou o avaliador sobre os passos para cancelar o recebimento. Mesmo após a intervenção do avaliador, o usuário não conseguiu encontrar as opções de privacidade e não concluiu a tarefa.
Na T3, a atividade de exclusão de marcação de foto não foi realizada pelo usuário, pois o mesmo não possuía fotos marcadas em seu álbum. Na realização da configuração da privacidade para marcação de fotos, frente à dificuldade ao realizar a tarefa, o usuário também questionou os passos para realizá-la. Com as informações passadas pelo avaliador de que ele deveria acessar "configurações de privacidade" para realizar a tarefa, o usuário encontrou na página um link denominado "Privacidade" e o acessou. O link levou a uma página de navegação para ajuda de como utilizar a privacidade no Facebook. No entanto, o usuário não conseguiu encontrar a opção de configuração de privacidade e assim finalizar a tarefa.
Ao término das tentativas de desempenhar as tarefas, o avaliador realizou uma entrevista não estruturada com o usuário. Nessa entrevista, o avaliador questionou o usuário sobre quais foram às dificuldades encontradas ao realizar as tarefas e o usuário disse: "As informações ficam misturadas, fica confuso, é difícil encontrar as coisas". Ainda, o usuário diz preferir utilizar a versão mobile do Facebook: "É mais fácil encontrar as coisas na versão mobile, lá está mais organizado. A versão da Web não segue uma ordem de relevância, fica tudo misturado".
1. Rocha, H. V. da e Baranauskas, M. C. C. Design e Avaliação de Interfaces Humano-Computador, (2003), Campinas – Nied/Unicamp.