Avaliando aspectos de privacidade no Facebook pelas lentes de usabilidade, acessibilidade e fatores emocionais
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Avaliação Simplificada de Acessibilidade

A Avaliação Simplificada de Acessibilidade (ASA) [1] é uma técnica de avaliação de acessibilidade baseada em heurísticas e conduzida por especialistas que tem por base uma avaliação manual e também semi-automática de sistemas. A avaliação manual é realizada por meio da observação do conteúdo Web em (a) navegadores gráficos e (b) navegadores textuais. Com o uso de navegadores gráficos, os especialistas devem verificar a violação das seguintes heurísticas:


  • (a.1) Desabilitar imagens - verificar se são disponibilizados textos alternativos apropriados;
  • (a.2) Desabilitar som - verificar se o conteúdo sonoro continua disponível por meio de equivalentes textuais;
  • (a.3) Variar o tamanho da fonte (usando controles do navegador) - verificar se o tamanho da fonte varia na tela de forma adequada e se a página continua usável com grandes tamanhos de fonte;
  • (a.4) Variar resoluções de tela;
  • (a.5) Redimensionar a janela da aplicação para tamanhos menores que o máximo - verificar se a rolagem horizontal não é exigida;
  • (a.6) Verificar se o contraste é adequado e,
  • (a.7) Acessar links e formulários da página por meio da tecla TAB, sem auxílio do mouse - verificar se todos os links são acessíveis e estão bem descritos, bem como se os controles dos formulários são acessíveis.

Com o uso de navegadores textuais, observa-se a violação das seguintes heurísticas:


  • (b.1) Verificar se as informações disponibilizadas são equivalentes àquelas oferecidas pelo navegador gráfico, e
  • (b.2) Verificar se a informação apresentada faz sentido se apresentada de forma linear [2].

Após realizar a avaliação manual, ferramentas semi-automáticas também são utilizadas para a avaliação da acessibilidade. As ferramentas semi-automáticas verificam a adequação do código fonte a um conjunto de diretrizes de acessibilidade, como o WCAG1 e o e-MAG2 . Tanto na avaliação manual quanto na semi-automática, as violações são identificadas e registradas no formulário da ASA. Às violações são atribuídos graus de severidade dos problemas encontrados. Os graus de severidades aplicados à ASA são os mesmos daqueles aplicados na Avaliação Heurística.


Neste estudo o ASA foi aplicado com objetivo de avaliar a acessibilidade das funcionalidades de privacidade do Facebook por meio de inspeção manual e avaliação automática utilizando diretrizes de acessibilidade.


O ASA foi realizado por quatro avaliadores, sendo um experiente e três com pouca experiência. A avaliação de acessibilidade utilizando a ASA foi inicialmente realizada pelos avaliadores individualmente. Cada avaliador utilizou o formulário da ASA, disponível em [1], para realizar a avaliação manual. Para a avaliação do item (b) da ASA (navegador textual) todos os avaliadores utilizaram o emulador de leitor de telas Fangs disponibilizado como o complemento do Mozilla Firefox. Devido à complexidade na configuração do lynx para acessar páginas sob o conteúdo https, foi utilizado o emulador de leitor de telas Fangs. O emulador provê uma saída textual próxima a que acontece quando utilizando leitores de tela e, portanto, também permite uma análise precisa da adequação do conteúdo. Após a avaliação realizada individualmente, os avaliadores se reuniram para discutir os resultados encontrados a fim de consolidá-los em um único formulário. A etapa da ASA, na qual se utiliza ferramenta semi-automática, foi realizada por um avaliador considerado experiente na aplicação do método, utilizando o sistema operacional Windows 7, o navegador Mozilla Firefox 13.0.1 e a ferramenta semi-automática ATRC Web Accessibility Checker – Achecker. Para a avaliação realizada, foi utilizado o WCAG, prioridades A, AA e AAA. O AChecker provê uma classificação das violações em três níveis: erros conhecidos, erros prováveis e erros potenciais. Os resultados relevantes detectados pela ferramenta semi-automática também foram armazenados no formulário da ASA, após uma análise de pertinência de problemas.


1. Web Content Accessibility Guidelines. http://www.w3.org/WAI/intro/wcag.php

2. Modelo de Acessibilidade de Governo Eletrônico. http://www.governoeletronico.gov.br/acoes-e-projetos/e-MAG/

Questionários e Formulários Utilizados:


Formulário ASA

Resultados:


A tabela (consolidação dos problemas identificados) apresenta o formulário ASA com os problemas consolidados pelos avaliadores. Vale destacar que as heurísticas 2, 3, 4 e 6 não aparecem nesta tabela, pois os avaliadores ressaltaram que a heurística 2 não se aplica na realização das tarefas propostas e as heurísticas 3, 4 e 6 não levaram a nenhum problema.


A T1, apesar de oferecer algumas barreiras em relação à ordenação da página, continua sendo acessível, mesmo quando desabilitadas as imagens.


Para realizar a T2, ao acessar a página do amigo pela navegação com o TAB, não é possível selecionar a opção para não mostrar as atualizações daquele amigo no feed de notícias. A navegação para acessar essa opção também não pode ser realizada utilizando as setas do teclado. Sendo assim, a opção de privacidade para não receber as atualizações do amigo no feed de notícias fica inacessível, uma vez que segundo a heurística 7 da ASA, a T2 não pode ser realizada.


Para a realização da T3, o principal problema relacionado à acessibilidade está na navegação por texto, sem imagens. Como o critério de decisão sobre cancelamento de marcação reside na habilidade de analisar a imagem, o usuário que utiliza somente texto deve ser capaz de ler as descrições textuais das imagens. O Facebook, apesar de permitir que descrições textuais sejam providas para cada imagem, não as coloca como texto alternativo nessa visualização (ver Figura abaixo).



Marcação de fotos com imagens habilitadas (A) e desabilitadas (B).

Fotos dos avaliadores na discussão:


1. Warau, Websites Atendendo a Requisitos de Acessibilidade e Usabilidade. Disponível em: http://warau.nied.unicamp.br. Acessado em: Julho de 2012.


2. Baranauskas, M.C.C. Curso MO622 - Fatores Humanos em Sistemas Computacionais, Segundo Semestre de (2007). Instituto de Computação - Unicamp. Versão online adaptada por Almeida, L.D.A. e Santana, V.F.